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Comida é bom, Di Buteco é ainda melhor

Carne de porco e agrião roubam a cena no primeiro final de semana da competição

Leonardo Minardi
Leonardo Minardi
20 de abril de 2026
Comida é bom, Di Buteco é ainda melhor
Tem coisa que une carioca mais do que futebol, cerveja e resenha de bar? Talvez só uma boa comida de boteco. E quando chega o período do Comida di Buteco, a Zona Norte entra oficialmente em modo celebração: balcões cheios, mesas disputadas e uma missão quase impossível - escolher o melhor petisco. Mais do que um simples concurso, o evento transforma bares tradicionais em verdadeiros pontos de peregrinação gastronômica, onde cada prato carrega história, criatividade e aquele tempero que não se aprende em receita, só na vivência de boteco. Entre uma garfada e outra, o público vira jurado, crítico e, principalmente, fã. E foi nesse clima - de fome e curiosidade - que eu encarei o desafio de provar alguns dos petiscos mais comentados da região. A seguir, te conto quais foram os quatro que entraram no meu radar para começar os “trabalhos”. Porquinho atolado - On Tap Pub Começamos nosso roteiro na Tijuca, à beira da bucólica Praça Vanhargem. O petisco da vez consiste em quatro bolinhos de paleta de porco desfiada, com agrião, recheados com queijo provolone e acompanhados de pesto de agrião. E aqui não tivemos miséria, tá? Os bolinhos são bem temperados, e a mistura entre o queijo provolone e o agrião dão um ar diferenciado para o prato. O prato traz uma memória afetiva do petisco que se come durante uma viagem para o interior, em um bar com mesas e cadeiras de plástico. Aquele tipo de prato que quando a gente volta pra casa, fica a saudade do passeio. Endereço: Rua Major Ávila, 455 | Tijuca, Rio de Janeiro – RJ Boa Vista - Beneh Gastrobar Seguindo por dentro da praça nos deparamos com o Beneh Gastrobar, na rua Dona Maria. Já sou cliente de longa data do Beneh, tanto pelos petiscos saborosos quanto pela ótima trilha sonora do local, que consegue trazer o melhor de todos os gêneros musicais. O petisco competidor é simples, mas eficaz: creme aveludado de espinafre e alho confit com mini medalhão de filé-mignon suíno empanado. Os medalhões são suculentos e o tempero remete à carne suína feita em churrasco. O creme de espinafre é bom, apesar de não ser dos meus favoritos. O destaque do prato fica para o empanamento - eles conseguiram criar um petisco que faz o ‘crack’ quando a gente morde, mas que ao mesmo tempo é macio por dentro. Me parece algo que eu pediria tranquilamente na beira da praia, acompanhado de uma Coca-Cola gelada. Endereço: Rua Dona Maria, 9 | Vila Isabel, Rio de Janeiro – RJ Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay - Bar do Canedo Domingo de sol, futebol passando na televisão e decidimos ir ao Grajaú conhecer a aposta do Bar do Canedo. O restaurante entrou no clima e investiu em uma decoração de Halloween, com uma bruxa animatrônica na entrada, teias no teto e outros adereços temáticos. A explicação fez todo sentido: “O tema deste ano foram verduras, que é algo que assusta muita gente, então pensamos em trazer essa brincadeira com o terror e as bruxas”, contou o gerente. Mas vamos falar de comida, né? O petisco é uma costela bovina desfiada, acompanhada de um creme especial de quatro queijos, servida numa caminha de aipim com tapioca frita. E pra finalizar, uma “chuva” de couve mineira frita. E aqui não farei mistérios - o prato foi o melhor do final de semana para mim, e me arrisco a dizer, um dos melhores que tive o prazer de experimentar em todos os anos da competição. A combinação entre a base crocante de aipim, a costela desfiada e o creme de queijo trouxe um sabor único, e a couve caiu como uma luva. Na pegada do Dia das Bruxas, conseguiram criar um petisco verdadeiramente mágico (que eu pretendo repetir no futuro). Ainda é cedo para definir um campeão, mas com certeza o Bar do Canedo é um dos que saiu na frente este ano. Endereço: R. Barão de Mesquita, 916 | Grajaú, Rio de Janeiro – RJ Fui prensada e gostei! - Tio Juca Pegamos uma mesa no Tio Juca, na esquina entre a General Espírito Santo Cardoso e a Rua Garibaldi, bem ao lado do tradicional Nevada Bar (ou “Bar da Marlene”, para os íntimos). Dos quatro bares do final de semana, era o único que eu nunca havia ido, mas se transformou em uma grata surpresa. Com um nome que mais parece um bloco de carnaval, o petisco “Fui prensada e gostei” trata-se de uma costela bovina de longa cocção, prensada, dourada na chapa e servida sobre base crocante, acompanhada de molho agrião levemente picante. Confesso que, inicialmente, a apresentação do prato não me deixou com tanto apetite (são três cubos marrons com uma aparência seca), mas logo na primeira mordida percebi como havia sido enganado. A costela estava extremamente suculenta e saborosa, e a base crocante tinha um sabor suave, deixando a proteína do prato brilhar. O molho combinou perfeitamente, e agradou o paladar de todos que estavam na mesa comigo. E aqui quero deixar um elogio para a simpatia da equipe, que transformou a experiência no local em algo ainda melhor. Saí de lá com a sensação de que deveria ter ido muito antes. Endereço: R. General Espírito Santo Cardoso, 438 | Tijuca, Rio de Janeiro – RJ Sobre o Comida Di Buteco 2026 Vale destacar que o Comida di Buteco acontece entre os dias 10 de abril e 10 de maio, reunindo bares da capital, da Baixada Fluminense e de Niterói em uma verdadeira maratona gastronômica. Só no Rio de Janeiro, são mais de 100 botecos participantes, cada um criando um petisco exclusivo para a disputa. O tema deste ano gira em torno das verduras, o que desafia os bares a explorarem criatividade, sabor e apresentação a partir de ingredientes muitas vezes subestimados no universo do boteco. Todos os pratos custam R$40 (cada), permitindo que o público monte seu próprio roteiro sem surpresas na conta. E mais do que comer bem, quem participa também ajuda a eleger os campeões. A votação é realizada de forma anônima, em uma urna presente em cada estabelecimento.