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Crítica: Devoradores de Estrelas aposta no afeto acima da ciência

Entre o desespero cósmico e a amizade improvável, um sci-fi que troca teoria por emoção.

Roberta Campos
13 de abril de 2026
Crítica: Devoradores de Estrelas aposta no afeto acima da ciência

Ryland Grace (Ryan Gosling) vive atormentado pela própria incompetência: sua teoria sobre vida sem hidrogênio e oxigênio foi ridicularizada, empurrando-o da ciência para a sala de aula. Ele aceita esse destino até surgir Eva Stratt (Sandra Hüller), convocando-o para salvar o Sol de uma ameaça cósmica — os astrofágicos.

Dirigido por Phil Lord e Christopher Miller, o filme começa com Grace perdido no espaço, reconstruindo memórias aos poucos. O roteiro de Drew Goddard equilibra bem suspense e humor, apoiado por uma trilha eficiente de Daniel Pemberton.

Gosling segura o tom entre leveza e desespero: a humanidade tem prazo de validade, e ele desperta sozinho numa missão sem respostas. O encontro com uma nave alienígena muda tudo — e é aí que o filme finalmente encontra sua alma.

A relação entre Grace e Rocky, um ser rochoso, vira o centro emocional da história. A amizade cresce rápido e, honestamente, engole o resto: o destino da humanidade perde espaço para esse vínculo improvável, mas cativante. Para mim, é aqui que o filme acerta em cheio — mesmo que desequilibre o todo.

A obra troca ação por contemplação: ciência vira espetáculo visual sensível, não explosivo. Ainda assim, sinto que o roteiro simplifica dilemas complexos em favor do emocional.

Devoradores de Estrelas prefere aquecer o público com esperança do que desafiá-lo com rigor científico. Funciona? Em partes. É um sci-fi mais coração do que cérebro — e isso pode encantar ou frustrar, dependendo do que você espera.

Nota: ★★★★☆ (4/5)